quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Dilma vence primeiro teste e aprova com folga salário de R$ 545 ( ESTADÃO )

Por Denise Madueño, Eugênia Lopes e João Domingos, estadao.com.br, Atualizado: 17/2/2011 1:29
Dilma vence primeiro teste e aprova com folga salário de R$ 545 na Câmara
Com ameaças de cortes nas nomeações para o segundo escalão e até de demissão de um ministro aliado, a presidente Dilma Rousseff conseguiu fazer sua base parlamentar aprovar o salário mínimo de R$ 545 e passou por seu batismo de fogo no Congresso. Maioria expressiva dos aliados obedeceu à ordem do Executivo e rejeitou, por 361 votos a 12o, a proposta que elevava o valor para R$ 560. O projeto ainda terá de ser aprovado pelo Senado para virar lei. A liberação de emendas no mês de fevereiro também foi outra arma usada pelo Executivo.

Os partidos de oposição insistiram com dois valores acima do defendido pelo governo. Em primeiro lugar, na votação de um mínimo de R$ 600, proposto pelo PSDB, o governo ganhou com folga. Apenas 106 parlamentares votaram a favor. Contrários à emenda votaram 376 e 7 se abstiveram. Na segunda votação, quando apoiaram os R$ 560, os oposicionistas conseguiram mais 14 votos. Ainda assim, a oposição sofreu uma severa derrota.

A presidente tinha certeza da vitória. Assim que foi derrubada a proposta da oposição de R$ 600, perto das 23 horas, Dilma Rousseff deixou o Palácio do Planalto antes mesmo de encerrada a votação na Câmara. Ela acompanhou a sessão em seu gabinete, no terceiro andar do Palácio, acompanhada dos ministros da Casa Civil, Antonio Palocci, da Secretaria-Geral, Gilberto Carvalho, das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e da Comunicação Social, Helena Chagas.

Ao deixar o Planalto por volta de meia noite, Palocci comemorava a vitória do governo com cautela: 'Ainda falta o segundo tempo no Senado'.

Enquadrados. O enquadramento dos deputados aliados ficou claro logo pela manhã. Numa reunião no Planalto com o ministro Luiz Sérgio, os líderes contaram os votos e o número de dissidentes e concluíram que venceriam. Mas teriam de fazer novas pressões para reduzir as baixas.

Ao PDT, o único partido aliado que anunciou a defesa do mínimo de R$ 560, a presidente Dilma avisou que se o partido fechasse questão em torno desse valor o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, seria demitido.

Restou ao partido deixar a bancada livre para que cada um votasse do jeito que quisesse.

Como as ameaças de resistência ao mínimo de R$ 545 vinham principalmente da base, os dirigentes partidários foram duros no trabalho de convencimento.

O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), conversou com cada um dos deputados. Avisou que se insistissem em votar contra o governo o enfraqueceriam. Ele argumentou que uma dissidência alta no PMDB inviabilizaria seu projeto de assumir a presidência da Câmara no biênio 2013 a 2015.

Prevenido, o PMDB sacrificou dois suplentes de deputados do Rio de Janeiro, substituindo-os pelos titulares Leonardo Picciani e Pedro Paulo, atualmente secretários do governo de Sérgio Cabral (PMDB) e do prefeito Eduardo Paes (PMDB).

A partir daí, parlamentares da base revezaram-se na tribuna da Câmara para dar o apoio ao mínimo defendido por Dilma. A oposição, ao contrário, procurou mostrar a cara e defender um mínimo maior, de forma a contentar os sindicalistas que estavam nas galerias.

Vaias. Ocorreu, assim, um fenômeno raro na política brasileira. Parlamentares de tradição na esquerda, como Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, ex-presidente da CUT, e Luci Choinacki (PT-SC) foram vaiados; deputados acostumados a vaias de representantes dos trabalhadores, como Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Pauderney Avelino (DEM-AM), foram aplaudidos pelos sindicalistas que estavam nas galerias.

Vicentinho previu que se vingará no futuro: 'Tenho certeza de que as vaias vão se transformar em aplausos ano que vem'.

A argumentação dos dois lados seguiu uma linha muito parecida. Os defensores dos R$ 545 insistiram que o governo do PT, a começar pelo de Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiu dar ganho real superior a 60% ao salário mínimo. A oposição repetiu e repetiu que negar mais R$ 15 aos trabalhadores - ou R$ 0,50 por dia - era uma falta de sensibilidade.

A vitória de Dilma representa o fim da lua de mel do Planalto com as centrais sindicais, que tiveram tratamento privilegiado sob Lula. / COLABOROU TÂNIA MONTEIRO

sábado, 13 de novembro de 2010

Portaria CAT - 168, de 20-10-2010 Veja no Site www.pfe.fazenda.sp.gov.br

Portaria CAT - 168/10, de 20-10-2010

(DOE 21-10-2010)

Dispõe sobre a cassação da eficácia da inscrição no Cadastro de Contribuintes do ICMS nas hipóteses que especifica.

O Coordenador da Administração Tributária, tendo em vista o disposto no inciso I e no § 1° do artigo 31 do Regulamento do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - RICMS, aprovado pelo Decreto 45.490, de 30 de novembro de 2000, expede a seguinte portaria:

Art. 1° - Será cassada de ofício a eficácia da inscrição no Cadastro de Contribuintes do ICMS, com a consequente alteração da situação cadastral para “INAPTA”, de estabelecimento de contribuinte enquadrado no Regime Periódico de Apuração - RPA que, na data da publicação desta portaria, não tiver apresentado as 6 (seis) Guias de Informação e Apuração do ICMS - GIA - referentes aos meses de fevereiro a julho de 2010.

§ 1° - o disposto neste artigo não se aplica ao estabelecimento que tenha efetuado qualquer recolhimento do imposto relativamente ao período indicado no “caput”.

§ 2° - Será presumida a inatividade do estabelecimento a partir:

1 - da data da abertura do estabelecimento, na hipótese de o contribuinte nunca ter apresentado GIA referente ao estabelecimento;

2 - do último dia do período de apuração relativo à última GIA apresentada pelo contribuinte.

§ 3º - Relativamente aos contribuintes que, na data de 30 de junho de 2007, estavam sujeitos ao antigo regime do Simples Paulista e que, posteriormente, não apresentaram GIA e nem constam como optantes do Simples Nacional, será presumida a inatividade a partir do último dia do período correspondente à última declaração do Simples Paulista entregue.

Art. 2° - a certidão do ato administrativo de cassação da eficácia da inscrição estadual dos estabelecimentos estará disponível no Posto Fiscal Eletrônico - PFE, endereço eletrônico http://pfe.fazenda.sp.gov.br, com as seguintes informações:

I - nome ou denominação social do estabelecimento;

II - números de Inscrição Estadual - IE e no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ;

III - data a partir da qual é presumida a inatividade do estabelecimento;

IV - identificação do Posto Fiscal de vinculação do estabelecimento;

V - obrigações acessórias previstas no artigo 1° que não foram cumpridas.

Parágrafo único - a consulta aos estabelecimentos cuja inscrição tenha sido cassada ficará disponível no “site” da Secretaria da Fazenda para contribuintes e demais interessados, no mínimo, até 31 de dezembro de 2012, podendo ser realizada por meio de pesquisa:

1 - pelos números de Inscrição Estadual - IE ou do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ;

2 - em relação completa dos estabelecimentos, com as informações indicadas nos incisos I a III do “caput”, organizados em ordem crescente do número de inscrição no CNPJ.

Art. 3° - o contribuinte que tiver a eficácia de sua inscrição cassada nos termos desta portaria poderá requerer, até 19 de novembro de 2010, o seu restabelecimento, mediante apresentação de requerimento dirigido ao chefe do Posto Fiscal de vinculação do estabelecimento, devidamente instruído com prova do efetivo exercício da atividade.

§ 1º - Cabe ao chefe do Posto Fiscal analisar o requerimento e decidir no prazo de 30 (trinta) dias contado da data do protocolo de recebimento.

§ 2º - na hipótese de decisão favorável ao contribuinte:

1 - a decisão será publicada no Diário Oficial do Estado - D.O., podendo a situação cadastral atualizada do estabelecimento ser consultada no Posto Fiscal Eletrônico - PFE, endereço eletrônico http://pfe.fazenda.sp.gov.br;

2 - o ato de cassação será reformado e a eficácia da inscrição será restabelecida, com efeito retroativo.

§ 3º - da decisão desfavorável ao contribuinte caberá recurso no prazo de 30 (trinta) dias ao Delegado Regional Tributário.

Art. 4° - Esta portaria entra em vigor na data de sua publicação.

sábado, 30 de outubro de 2010

Por EQUIPE AE, estadao.com.br, Atualizado: 30/10/2010 0:56

Por EQUIPE AE, estadao.com.br, Atualizado: 30/10/2010 0:56
Último debate termina sem confronto entre candidatos
O último ato da campanha eleitoral não refletiu o acirramento do segundo turno - no debate na TV Globo, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram se atacar e, por causa do formato do programa, não abordaram temas polêmicos.

Em desvantagem nas pesquisas, Serra só fez críticas a Dilma e ao governo de forma indireta. Quando questionado sobre o tema corrupção, por exemplo, ele não citou o escândalo que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil - em debates anteriores, o tucano sempre ressaltou as ligações entre a ex-ministra e a candidata do PT.

Dilma, que no começo do segundo turno adotou um discurso mais incisivo para barrar a eventual ascensão do adversário, também mudou de tom. No programa desta sexta-feira, ela evitou mencionar o tucano e procurou destacar realizações do governo Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal cabo eleitoral.

No programa, os candidatos foram sabatinados por eleitores indecisos que compareceram aos estúdios da Globo. Eles responderam a perguntas sobre segurança, saúde, educação e outros temas relacionados ao cotidiano da população. Não houve questões sobre privatizações, pré-sal e legalização do aborto, assuntos que foram destaque na campanha da segunda rodada da eleição.

A respeito da corrupção, Serra destacou que ela chegou a 'níveis insuportáveis'. Como forma de combater as irregularidades, o candidato destacou a necessidade de fortalecer as instituições fiscalizadoras, como o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público. 'O exemplo tem de vir de cima. É preciso escolher bem as equipes e ser implacável com quem comete irregularidades, não passar a mão na cabeça', afirmou.

Dilma, na réplica, destacou a atuação da Polícia Federal no combate a casos de corrupção. Também apontou a importância da Controladoria Geral da União, órgão ligado à Presidência, 'que foi responsável pela investigação no caso dos sanguessugas' - quadrilha que desviava verbas do Ministério da Saúde.

Em diversos momentos, a petista e o tucano apresentaram discursos convergentes. Ambos, por exemplo, destacaram a necessidade de valorizar os salários dos professores de escolas públicas e de reforçar o Sistema Único de Saúde.

Em relação à segurança pública, Serra defendeu a priorização do combate ao contrabando de armas e drogas. Defendeu ainda a formação de um cadastro nacional de criminosos, para que as forças de segurança dos distintos Estados tenham condições de monitorar a ação de quem cometeu crimes fora de sua área de abrangência.

Dilma afirmou que esse cadastro já existe, e que há iniciativas do governo para ampliar o banco de dados com informações da Justiça e do sistema penitenciário.

Em outro momento, a candidata do PT defendeu de forma enfática a desoneração da folha de pagamentos no País como forma de aumentar a criação e a formalização de empregos no País.

Serra, sobre esse tema, adotou tom mais cauteloso. 'Vamos tirar o quê? O Fundo de Garantia, o INSS? Isso tem de ser muito meditado, porque não se pode perder receita.'

O tucano criticou a política de saúde do atual governo, mas sem mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 'Nossa saúde andou para trás, o governo federal encolheu os recursos que empregava', afirmou.

A candidata petista reconheceu a existência de falhas no setor. 'Temos problemas sérios de qualidade, e se a gente não reconhecer, não melhora.' Ela prometeu criar unidades de pronto-atendimento que funcionem 24 horas por dia para desafogar os hospitais públicos.

Em relação às políticas sociais, Serra defendeu a interligação do Bolsa-Família com programas federais como o Saúde da Família. Também apontou a necessidade de investir em ensino profissionalizante e de criar outros estímulos para que as famílias progridam e não dependam da ajuda federal.

Nesse momento, Dilma fez uma crítica indireta ao adversário, ao afirmar que 300 mil famílias pobres em São Paulo não recebem o Bolsa-Família por falta de cadastramento - função que seria do Estado e dos municípios. 'Em São Paulo, quem cuida dos pobres é o governo federal.'

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Romeu Tuma morre em São Paulo Estadao.com.br, Atualizado: 26/10/2010 14:11

estadao.com.br, Atualizado: 26/10/2010 14:11
O homem que jamais deixou de ser policial
O filho de imigrantes sírios que, para desgosto dos pais, Zike e América, trocou uma próspera loja de vestidos de noiva da Rua 25 de Março pela Academia de Polícia, aos 20 anos de idade, jamais deixou de ser policial. Fez carreira de investigador e delegado na Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, foi transferido para o Departamento de Polícia Federal e, na hora de se aposentar, disputou uma vaga no Senado, para nos 16 anos seguintes continuar fazendo em Brasília o que era a sua vocação, homem preocupado com a manutenção da ordem, o combate ao crime e a punição dos criminosos. Romeu Tuma, nascido em 4 de outubro de 1931, cumpriu uma promessa que fez em 1992, ao voltar a São Paulo em meio aos inquéritos que apuravam desmandos e corrupção no governo Collor de Mello.

Veja também:

Romeu Tuma morre em São Paulo

Políticos lamentam morte de senador via Twitter

'A aposentadoria vai esperar, porque enquanto eu tiver pernas para andar, cabeça para pensar e boca para falar, eu vou trabalhar', anunciou Tuma em entrevista ao Estado, adiando para 1994 seus planos para o futuro. Ao chegar a hora, candidatou-se a senador e elegeu-se com mais de 5,5 milhões de votos, façanha que se repetiria na reeleição, em 2002, quando 7.278.185 eleitores lhe garantiram um novo mandato. Gostou tanto da política que nas eleições municipais de 2000 resolveu disputar a prefeitura da capital. Ficou em quarto lugar, atrás de e Marta Suplicy, a vencedora, Geraldo Alckmin e Paulo Maluf. Desistiu de um cargo no executivo e refugiou-se em Brasília. No Senado, foi corregedor parlamentar, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e membro de várias outras comissões, sempre voltado para assuntos de sua especialidade. Na Corregedoria, uma de suas atribuições era supervisionar a proibição de porte de arma, com poderes para revistar e desarmar quem infringisse o decoro, a ordem e a disciplina. Filiado ao PTB, depois de ter sido eleito pelo PL,Tuma era um senador respeitado, por causa da fama de xerife dedicado e eficiente que construiu na policia. Apesar de restrições de colegas de profissão e das suspeitas levantadas contra ele por sua ligação com os órgãos de informação durante o regime militar.

Foi no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) que Tuma trabalhou por mais tempo, 30 anos, ao longo de sua carreira, iniciada em 16 de janeiro de 1953. Primeiro como investigador, depois como delegado, tornou-se um policial conhecido pelas qualidades que, em sua avaliação, deve ter esse profissional: conhecimento técnico e um pouco de sorte. Em seu caso, muita sorte. Atuou na repressão a militantes de esquerda na ditadura, enfrentou o narcotráfico, caçou nazistas alemães escondidos em São Paulo entre eles o médico Joseph Mengele, 'o carrasco de Auchwitz', cuja ossada descobriu numa praia do litoral paulista prendeu o mafioso italiano Tommaso Buscetta, comandou o confisco de boi gordo no Plano Cruzado, acumulou a direção geral da Polícia Federal com o cargo de superintende da Receita Federal, combateu a corrupção e esclareceu sequestros de gente importante, sempre com sucesso. Seu nome atravessou fronteiras e, ganhando prestígio internacional, acabou sendo vice-presidente da Interpol cargo que continuou a ocupar, como título honorário, depois de eleito senador.

Algumas ocorrências deixaram marcas que Tuma não esqueceu. Uma delas foi a invasão da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), quando a polícia ocupou o campus da Rua Monte Alegre, em Perdizes, no governo Paulo Egydio. O delegado do Dops e sua equipe de agentes participaram da operação, identificando e prendendo líderes do movimento estudantil. Tuma, um ex-aluno da Faculdade de Direito da PUC, descreveu assim o episódio numa entrevista a Veja, em janeiro de 1982:

'Os estudantes insistiram em realizar uma manifestação ilegal. Não atenderam aos apelos da polícia do próprio secretário da Segurança, coronel Erasmo Dias. Então, tivemos que dispersá-los. Na área, não havia espaço para a fuga e os estudantes se acotovelaram no interior da faculdade, em corredores estreitos, e os incidentes se sucederam.'

Outro caso, para ele inesquecível, foi a investigação da morte do padre Josimo Tavares, assassinado em 10 de maio de 1986 em frente da sede da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Imperatriz, sul do Maranhão. Tuma era diretor da Polícia Federal e, conforme revelou, saiu preocupado de Brasília para essa missão, por causa do clima de violência na região. 'Chegando lá, tinha até passeata a meu favor', contou mais tarde, ao se candidatar ao Senado.

Esses dois episódios levaram o delegado a mexer com uma ala da Igreja que não era a de sua simpatia. Católico de missa e comunhão semanais, embora seu pai pertencesse à Igreja Ortodoxa, na qual ele se casou, Tuma discordava da ação política de bispos e padres do Brasil. Argumentava que essa era posição do papa João Paulo II. Ao lembrar que havia sido congregado mariano e era devoto fervoroso de São Judas Tadeu, o delegado insistiu que vinha de uma época em que a Igreja não entrava no campo da reivindicação social, mas cuidava da alma. Por causa de sua origem síria, sempre teve relações com a colônia árabe de fé ortodoxa em São Paulo.

Como policial de informação que defendia o recurso a métodos científicos e técnicos para o combate ao crime, Tuma dizia-se contra a tortura e a violência. Para quem por acaso duvidasse de sua palavra, evocava o testemunho insuspeito de militantes políticos e sindicais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para provar que respeitava os presos. Em 1980, lembra o delegado, ele autorizou Lula a visitar a mãe doente no hospital e, em seguida, a ir a seu enterro.

'Escalei dois policiais, que acompanharam o Lula até o hospital, onde ele conversou com a mãe. Ela faleceu sem saber da prisão os policiais se disfarçaram de operários e foram apresentados como colegas de Lula', contou Tuma dois anos após a ocorrência do fato. Na mesma época, o delegado convenceu o então metalúrgico e seus companheiros a desistirem de uma greve de fome e lhes serviu um prato especial no xadrez, porções de lulas à doré, encomendadas num restaurante das proximidades do Dops.

As denúncias contra Tuma partiram de militantes de esquerda e de vítimas da repressão. Em abril de 1992, membros da Comissão dos Familiares de Presos Políticos Desaparecidos afirmaram que o delegado, então diretor da Polícia Federal, sabia que o ex-preso político Rui Carlos Vieira Berbert estava morto e enterrado com nome falso em Natividade (TO), mas não deu essa informação à família. Num debate de candidatos paulistas ao Senado, em 1994, a ex-ministra Luiza Erundina acusou o delegado de ter omitido informações sobre a morte de ex-ativistas assassinados pelas repressão no começo dos anos 70.

Tuma era um policial obstinado pelo trabalho. Vivia dependurado ao telefone, que não deixava de atender nem de madrugada, sempre na expectativa de alguma informação importante para seu trabalho. Ligava constantemente para repórteres de sua confiança, para saber e informar o que estava acontecendo. Para não perder tempo, almoçava ou comia sanduíches em restaurantes e botecos vizinhos de seu gabinete. Sintonizava as frequências da polícia no rádio do carro e, em casa, via filmes policiais na TV.

Era casado com Zilda Dirane Tuma, com quem teve quatro filhos.

Análise dos cientistas políticos: Dilma evolui e Serra não convence

Análise dos cientistas políticos: Dilma evolui e Serra não convence
SÃO PAULO - Cientistas políticos convidados pelo Radar Político para assistir ao debate da TV Record concordaram na análise de que a petista Dilma Rousseff 'cresceu' ao longo dos últimos debates, enquanto o tucano José Serra se perdeu na tentativa de parecer um político carismático. Na avaliação de Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), e José Paulo Martins, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o encontro desta segunda-feira, 25, começou tenso, com todos os ataques de ordem ética concentrados no primeiro bloco para aproveitar o pico da audiência.

'Ele foi muito mais agressivo, mas não golpeou a ponto de ela ficar grogue', disse Melo ao avaliar a primeira parte da atração. Para Martins, os candidatos apostaram em mais do mesmo. 'O que vêm agora? Tudo o que já era esperado veio no primeiro bloco', questionou.

Para os cientistas políticos, a estratégia era atingir um maior número de pessoas antes que os televisores começassem a ser desligados, com o avançar das horas. 'No primeiro bloco você tem que mostrar um certo ímpeto', analisou Melo.

Segundo o cientista político do Insper, Serra estava 'mais agressivo do que nos outros debates'. 'Ele não tem outra alternativa a não ser roubar os votos dela. Mas é arriscado atacar', acrescentou Martins, para quem o eleitor identifica o problema da corrupção em governos do PT e do PSDB.

Foi, inclusive, essa a avaliação de Melo quando os casos mais recentes envolvendo os dois candidatos surgiram no debate, ainda no primeiro bloco. 'Quem com Erenice fere, com Paulo Preto será ferido', brincou o analista do Insper, após Serra citar as suspeitas de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. O ataque foi prontamente respondido por Dilma, que lembrou o suposto desvio de recursos de caixa dois da campanha tucana pelo ex-diretor da Dersa Paulo Petro. Privatizações. No segundo bloco, ganhou força o tema privatizações, que foi puxado pelo próprio tucano, numa clara estratégia de se manter no ataque. Na análise dos cientistas políticos, a tentativa de Serra de criticar uma suposta privatização do pré-sal pelo PT soou esquizofrênica, uma vez que vai contra as bandeiras históricas do PSDB.

'Serra vestiu a carapuça e agora quer ser mais realista que o rei, mais estatista que o PT', resumiu Melo. 'Vai contra a base social do PSDB', acrescentou. Na opinião do analista, a estratégia não agrega votos a Serra pois 'a base social do PT já está com Dilma'. Evolução. Na avaliação dos dois cientistas políticos, o debate desta segunda consolidou a evolução de Dilma ao longo dos últimos debates. 'Eu diria que a novidade é a segurança da Dilma', disse Martins. 'Mas acho que as pesquisas ajudam um pouco', acrescentou.

Ainda segundo eles, a tentativa de Serra de soar carismático não funciona. 'O problema é que o Serra tem um perfil... Ele é a figura racional por excelência. Quando ele faz esse discurso muito emocional, você não o reconhece', disse Melo, para quem 'Dilma tem milhões de defeitos, mas é impressionante como ela aprende rápido'.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ULTIMO SEGUNDO IG / SP - Lula fez coisa boa, mas não precisa ser tão mesquinho, diz FHC

Ex-presidente afirma que gostaria de ter uma conversa com o atual mandatário quando este 'colocar o pijama'
Alessandra Oggioni, iG São Paulo | 14/10/2010 21:58
Mudar o tamanho da letra: A+ A- Em sua primeira aparição pública desde o início do segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que cansou de ficar calado e que quer conversar com o presidente Lula ao final do mandato dele.

"Presidente Lula, terminada as eleições, quando você puser o pijama, venha ao meu instituto para conversar", disse FHC, acrescentando: "Então vou dizer a ele, 'presidente Lula, você fez muita coisa boa, mas não precisa ser tão mesquinho, rapaz'".

As declarações foram feitas em evento do PSDB realizado hoje na zona norte da capital paulista, que reuniu militantes e teve a participação de caciques tucanos de São Paulo, como o governador eleito Geraldo Alckmin, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, o governador Alberto Goldman e o senador eleito Aloysio Nunes.

FHC negou críticas do PT de que seu governo tivesse tentasse privatizar a Petrobras. "Essa gente não tem duas caras, não tem é cara nenhuma, não tem o que dizer e, como não tem o que dizer, falam mal de nós, mentindo sem cessar", declarou.

Já o governador eleito Geraldo Alckmin disse as últimas pesquisas vêm mostrando o crescimento de Serra. “A eleição está disputada mas acho que neste segundo turno o favoritismo está para o lado do PSDB", comemorou, adiantando que nas próximas semanas a campanha será reforçada em locais como Baixada Santista e Ribeirão Preto, entre outros, e, fora do território paulista, em Estados como Goiás, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Ex-presidente afirma que gostaria de ter uma conversa com o atual mandatário quando este 'colocar o pijama'
Alessandra Oggioni, iG São Paulo | 14/10/2010 21:58
Mudar o tamanho da letra: A+ A- Em sua primeira aparição pública desde o início do segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que cansou de ficar calado e que quer conversar com o presidente Lula ao final do mandato dele.

"Presidente Lula, terminada as eleições, quando você puser o pijama, venha ao meu instituto para conversar", disse FHC, acrescentando: "Então vou dizer a ele, 'presidente Lula, você fez muita coisa boa, mas não precisa ser tão mesquinho, rapaz'".

As declarações foram feitas em evento do PSDB realizado hoje na zona norte da capital paulista, que reuniu militantes e teve a participação de caciques tucanos de São Paulo, como o governador eleito Geraldo Alckmin, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, o governador Alberto Goldman e o senador eleito Aloysio Nunes.

FHC negou críticas do PT de que seu governo tivesse tentasse privatizar a Petrobras. "Essa gente não tem duas caras, não tem é cara nenhuma, não tem o que dizer e, como não tem o que dizer, falam mal de nós, mentindo sem cessar", declarou.

Já o governador eleito Geraldo Alckmin disse as últimas pesquisas vêm mostrando o crescimento de Serra. “A eleição está disputada mas acho que neste segundo turno o favoritismo está para o lado do PSDB", comemorou, adiantando que nas próximas semanas a campanha será reforçada em locais como Baixada Santista e Ribeirão Preto, entre outros, e, fora do território paulista, em Estados como Goiás, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.