Por EQUIPE AE, estadao.com.br, Atualizado: 30/10/2010 0:56
Último debate termina sem confronto entre candidatos
O último ato da campanha eleitoral não refletiu o acirramento do segundo turno - no debate na TV Globo, os candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram se atacar e, por causa do formato do programa, não abordaram temas polêmicos.
Em desvantagem nas pesquisas, Serra só fez críticas a Dilma e ao governo de forma indireta. Quando questionado sobre o tema corrupção, por exemplo, ele não citou o escândalo que derrubou Erenice Guerra da Casa Civil - em debates anteriores, o tucano sempre ressaltou as ligações entre a ex-ministra e a candidata do PT.
Dilma, que no começo do segundo turno adotou um discurso mais incisivo para barrar a eventual ascensão do adversário, também mudou de tom. No programa desta sexta-feira, ela evitou mencionar o tucano e procurou destacar realizações do governo Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal cabo eleitoral.
No programa, os candidatos foram sabatinados por eleitores indecisos que compareceram aos estúdios da Globo. Eles responderam a perguntas sobre segurança, saúde, educação e outros temas relacionados ao cotidiano da população. Não houve questões sobre privatizações, pré-sal e legalização do aborto, assuntos que foram destaque na campanha da segunda rodada da eleição.
A respeito da corrupção, Serra destacou que ela chegou a 'níveis insuportáveis'. Como forma de combater as irregularidades, o candidato destacou a necessidade de fortalecer as instituições fiscalizadoras, como o Tribunal de Contas da União e o Ministério Público. 'O exemplo tem de vir de cima. É preciso escolher bem as equipes e ser implacável com quem comete irregularidades, não passar a mão na cabeça', afirmou.
Dilma, na réplica, destacou a atuação da Polícia Federal no combate a casos de corrupção. Também apontou a importância da Controladoria Geral da União, órgão ligado à Presidência, 'que foi responsável pela investigação no caso dos sanguessugas' - quadrilha que desviava verbas do Ministério da Saúde.
Em diversos momentos, a petista e o tucano apresentaram discursos convergentes. Ambos, por exemplo, destacaram a necessidade de valorizar os salários dos professores de escolas públicas e de reforçar o Sistema Único de Saúde.
Em relação à segurança pública, Serra defendeu a priorização do combate ao contrabando de armas e drogas. Defendeu ainda a formação de um cadastro nacional de criminosos, para que as forças de segurança dos distintos Estados tenham condições de monitorar a ação de quem cometeu crimes fora de sua área de abrangência.
Dilma afirmou que esse cadastro já existe, e que há iniciativas do governo para ampliar o banco de dados com informações da Justiça e do sistema penitenciário.
Em outro momento, a candidata do PT defendeu de forma enfática a desoneração da folha de pagamentos no País como forma de aumentar a criação e a formalização de empregos no País.
Serra, sobre esse tema, adotou tom mais cauteloso. 'Vamos tirar o quê? O Fundo de Garantia, o INSS? Isso tem de ser muito meditado, porque não se pode perder receita.'
O tucano criticou a política de saúde do atual governo, mas sem mencionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 'Nossa saúde andou para trás, o governo federal encolheu os recursos que empregava', afirmou.
A candidata petista reconheceu a existência de falhas no setor. 'Temos problemas sérios de qualidade, e se a gente não reconhecer, não melhora.' Ela prometeu criar unidades de pronto-atendimento que funcionem 24 horas por dia para desafogar os hospitais públicos.
Em relação às políticas sociais, Serra defendeu a interligação do Bolsa-Família com programas federais como o Saúde da Família. Também apontou a necessidade de investir em ensino profissionalizante e de criar outros estímulos para que as famílias progridam e não dependam da ajuda federal.
Nesse momento, Dilma fez uma crítica indireta ao adversário, ao afirmar que 300 mil famílias pobres em São Paulo não recebem o Bolsa-Família por falta de cadastramento - função que seria do Estado e dos municípios. 'Em São Paulo, quem cuida dos pobres é o governo federal.'
sábado, 30 de outubro de 2010
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Romeu Tuma morre em São Paulo Estadao.com.br, Atualizado: 26/10/2010 14:11
estadao.com.br, Atualizado: 26/10/2010 14:11
O homem que jamais deixou de ser policial
O filho de imigrantes sírios que, para desgosto dos pais, Zike e América, trocou uma próspera loja de vestidos de noiva da Rua 25 de Março pela Academia de Polícia, aos 20 anos de idade, jamais deixou de ser policial. Fez carreira de investigador e delegado na Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, foi transferido para o Departamento de Polícia Federal e, na hora de se aposentar, disputou uma vaga no Senado, para nos 16 anos seguintes continuar fazendo em Brasília o que era a sua vocação, homem preocupado com a manutenção da ordem, o combate ao crime e a punição dos criminosos. Romeu Tuma, nascido em 4 de outubro de 1931, cumpriu uma promessa que fez em 1992, ao voltar a São Paulo em meio aos inquéritos que apuravam desmandos e corrupção no governo Collor de Mello.
Veja também:
Romeu Tuma morre em São Paulo
Políticos lamentam morte de senador via Twitter
'A aposentadoria vai esperar, porque enquanto eu tiver pernas para andar, cabeça para pensar e boca para falar, eu vou trabalhar', anunciou Tuma em entrevista ao Estado, adiando para 1994 seus planos para o futuro. Ao chegar a hora, candidatou-se a senador e elegeu-se com mais de 5,5 milhões de votos, façanha que se repetiria na reeleição, em 2002, quando 7.278.185 eleitores lhe garantiram um novo mandato. Gostou tanto da política que nas eleições municipais de 2000 resolveu disputar a prefeitura da capital. Ficou em quarto lugar, atrás de e Marta Suplicy, a vencedora, Geraldo Alckmin e Paulo Maluf. Desistiu de um cargo no executivo e refugiou-se em Brasília. No Senado, foi corregedor parlamentar, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e membro de várias outras comissões, sempre voltado para assuntos de sua especialidade. Na Corregedoria, uma de suas atribuições era supervisionar a proibição de porte de arma, com poderes para revistar e desarmar quem infringisse o decoro, a ordem e a disciplina. Filiado ao PTB, depois de ter sido eleito pelo PL,Tuma era um senador respeitado, por causa da fama de xerife dedicado e eficiente que construiu na policia. Apesar de restrições de colegas de profissão e das suspeitas levantadas contra ele por sua ligação com os órgãos de informação durante o regime militar.
Foi no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) que Tuma trabalhou por mais tempo, 30 anos, ao longo de sua carreira, iniciada em 16 de janeiro de 1953. Primeiro como investigador, depois como delegado, tornou-se um policial conhecido pelas qualidades que, em sua avaliação, deve ter esse profissional: conhecimento técnico e um pouco de sorte. Em seu caso, muita sorte. Atuou na repressão a militantes de esquerda na ditadura, enfrentou o narcotráfico, caçou nazistas alemães escondidos em São Paulo entre eles o médico Joseph Mengele, 'o carrasco de Auchwitz', cuja ossada descobriu numa praia do litoral paulista prendeu o mafioso italiano Tommaso Buscetta, comandou o confisco de boi gordo no Plano Cruzado, acumulou a direção geral da Polícia Federal com o cargo de superintende da Receita Federal, combateu a corrupção e esclareceu sequestros de gente importante, sempre com sucesso. Seu nome atravessou fronteiras e, ganhando prestígio internacional, acabou sendo vice-presidente da Interpol cargo que continuou a ocupar, como título honorário, depois de eleito senador.
Algumas ocorrências deixaram marcas que Tuma não esqueceu. Uma delas foi a invasão da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), quando a polícia ocupou o campus da Rua Monte Alegre, em Perdizes, no governo Paulo Egydio. O delegado do Dops e sua equipe de agentes participaram da operação, identificando e prendendo líderes do movimento estudantil. Tuma, um ex-aluno da Faculdade de Direito da PUC, descreveu assim o episódio numa entrevista a Veja, em janeiro de 1982:
'Os estudantes insistiram em realizar uma manifestação ilegal. Não atenderam aos apelos da polícia do próprio secretário da Segurança, coronel Erasmo Dias. Então, tivemos que dispersá-los. Na área, não havia espaço para a fuga e os estudantes se acotovelaram no interior da faculdade, em corredores estreitos, e os incidentes se sucederam.'
Outro caso, para ele inesquecível, foi a investigação da morte do padre Josimo Tavares, assassinado em 10 de maio de 1986 em frente da sede da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Imperatriz, sul do Maranhão. Tuma era diretor da Polícia Federal e, conforme revelou, saiu preocupado de Brasília para essa missão, por causa do clima de violência na região. 'Chegando lá, tinha até passeata a meu favor', contou mais tarde, ao se candidatar ao Senado.
Esses dois episódios levaram o delegado a mexer com uma ala da Igreja que não era a de sua simpatia. Católico de missa e comunhão semanais, embora seu pai pertencesse à Igreja Ortodoxa, na qual ele se casou, Tuma discordava da ação política de bispos e padres do Brasil. Argumentava que essa era posição do papa João Paulo II. Ao lembrar que havia sido congregado mariano e era devoto fervoroso de São Judas Tadeu, o delegado insistiu que vinha de uma época em que a Igreja não entrava no campo da reivindicação social, mas cuidava da alma. Por causa de sua origem síria, sempre teve relações com a colônia árabe de fé ortodoxa em São Paulo.
Como policial de informação que defendia o recurso a métodos científicos e técnicos para o combate ao crime, Tuma dizia-se contra a tortura e a violência. Para quem por acaso duvidasse de sua palavra, evocava o testemunho insuspeito de militantes políticos e sindicais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para provar que respeitava os presos. Em 1980, lembra o delegado, ele autorizou Lula a visitar a mãe doente no hospital e, em seguida, a ir a seu enterro.
'Escalei dois policiais, que acompanharam o Lula até o hospital, onde ele conversou com a mãe. Ela faleceu sem saber da prisão os policiais se disfarçaram de operários e foram apresentados como colegas de Lula', contou Tuma dois anos após a ocorrência do fato. Na mesma época, o delegado convenceu o então metalúrgico e seus companheiros a desistirem de uma greve de fome e lhes serviu um prato especial no xadrez, porções de lulas à doré, encomendadas num restaurante das proximidades do Dops.
As denúncias contra Tuma partiram de militantes de esquerda e de vítimas da repressão. Em abril de 1992, membros da Comissão dos Familiares de Presos Políticos Desaparecidos afirmaram que o delegado, então diretor da Polícia Federal, sabia que o ex-preso político Rui Carlos Vieira Berbert estava morto e enterrado com nome falso em Natividade (TO), mas não deu essa informação à família. Num debate de candidatos paulistas ao Senado, em 1994, a ex-ministra Luiza Erundina acusou o delegado de ter omitido informações sobre a morte de ex-ativistas assassinados pelas repressão no começo dos anos 70.
Tuma era um policial obstinado pelo trabalho. Vivia dependurado ao telefone, que não deixava de atender nem de madrugada, sempre na expectativa de alguma informação importante para seu trabalho. Ligava constantemente para repórteres de sua confiança, para saber e informar o que estava acontecendo. Para não perder tempo, almoçava ou comia sanduíches em restaurantes e botecos vizinhos de seu gabinete. Sintonizava as frequências da polícia no rádio do carro e, em casa, via filmes policiais na TV.
Era casado com Zilda Dirane Tuma, com quem teve quatro filhos.
O homem que jamais deixou de ser policial
O filho de imigrantes sírios que, para desgosto dos pais, Zike e América, trocou uma próspera loja de vestidos de noiva da Rua 25 de Março pela Academia de Polícia, aos 20 anos de idade, jamais deixou de ser policial. Fez carreira de investigador e delegado na Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo, foi transferido para o Departamento de Polícia Federal e, na hora de se aposentar, disputou uma vaga no Senado, para nos 16 anos seguintes continuar fazendo em Brasília o que era a sua vocação, homem preocupado com a manutenção da ordem, o combate ao crime e a punição dos criminosos. Romeu Tuma, nascido em 4 de outubro de 1931, cumpriu uma promessa que fez em 1992, ao voltar a São Paulo em meio aos inquéritos que apuravam desmandos e corrupção no governo Collor de Mello.
Veja também:
Romeu Tuma morre em São Paulo
Políticos lamentam morte de senador via Twitter
'A aposentadoria vai esperar, porque enquanto eu tiver pernas para andar, cabeça para pensar e boca para falar, eu vou trabalhar', anunciou Tuma em entrevista ao Estado, adiando para 1994 seus planos para o futuro. Ao chegar a hora, candidatou-se a senador e elegeu-se com mais de 5,5 milhões de votos, façanha que se repetiria na reeleição, em 2002, quando 7.278.185 eleitores lhe garantiram um novo mandato. Gostou tanto da política que nas eleições municipais de 2000 resolveu disputar a prefeitura da capital. Ficou em quarto lugar, atrás de e Marta Suplicy, a vencedora, Geraldo Alckmin e Paulo Maluf. Desistiu de um cargo no executivo e refugiou-se em Brasília. No Senado, foi corregedor parlamentar, presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e membro de várias outras comissões, sempre voltado para assuntos de sua especialidade. Na Corregedoria, uma de suas atribuições era supervisionar a proibição de porte de arma, com poderes para revistar e desarmar quem infringisse o decoro, a ordem e a disciplina. Filiado ao PTB, depois de ter sido eleito pelo PL,Tuma era um senador respeitado, por causa da fama de xerife dedicado e eficiente que construiu na policia. Apesar de restrições de colegas de profissão e das suspeitas levantadas contra ele por sua ligação com os órgãos de informação durante o regime militar.
Foi no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) que Tuma trabalhou por mais tempo, 30 anos, ao longo de sua carreira, iniciada em 16 de janeiro de 1953. Primeiro como investigador, depois como delegado, tornou-se um policial conhecido pelas qualidades que, em sua avaliação, deve ter esse profissional: conhecimento técnico e um pouco de sorte. Em seu caso, muita sorte. Atuou na repressão a militantes de esquerda na ditadura, enfrentou o narcotráfico, caçou nazistas alemães escondidos em São Paulo entre eles o médico Joseph Mengele, 'o carrasco de Auchwitz', cuja ossada descobriu numa praia do litoral paulista prendeu o mafioso italiano Tommaso Buscetta, comandou o confisco de boi gordo no Plano Cruzado, acumulou a direção geral da Polícia Federal com o cargo de superintende da Receita Federal, combateu a corrupção e esclareceu sequestros de gente importante, sempre com sucesso. Seu nome atravessou fronteiras e, ganhando prestígio internacional, acabou sendo vice-presidente da Interpol cargo que continuou a ocupar, como título honorário, depois de eleito senador.
Algumas ocorrências deixaram marcas que Tuma não esqueceu. Uma delas foi a invasão da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP), quando a polícia ocupou o campus da Rua Monte Alegre, em Perdizes, no governo Paulo Egydio. O delegado do Dops e sua equipe de agentes participaram da operação, identificando e prendendo líderes do movimento estudantil. Tuma, um ex-aluno da Faculdade de Direito da PUC, descreveu assim o episódio numa entrevista a Veja, em janeiro de 1982:
'Os estudantes insistiram em realizar uma manifestação ilegal. Não atenderam aos apelos da polícia do próprio secretário da Segurança, coronel Erasmo Dias. Então, tivemos que dispersá-los. Na área, não havia espaço para a fuga e os estudantes se acotovelaram no interior da faculdade, em corredores estreitos, e os incidentes se sucederam.'
Outro caso, para ele inesquecível, foi a investigação da morte do padre Josimo Tavares, assassinado em 10 de maio de 1986 em frente da sede da Comissão Pastoral da Terra (CPT) em Imperatriz, sul do Maranhão. Tuma era diretor da Polícia Federal e, conforme revelou, saiu preocupado de Brasília para essa missão, por causa do clima de violência na região. 'Chegando lá, tinha até passeata a meu favor', contou mais tarde, ao se candidatar ao Senado.
Esses dois episódios levaram o delegado a mexer com uma ala da Igreja que não era a de sua simpatia. Católico de missa e comunhão semanais, embora seu pai pertencesse à Igreja Ortodoxa, na qual ele se casou, Tuma discordava da ação política de bispos e padres do Brasil. Argumentava que essa era posição do papa João Paulo II. Ao lembrar que havia sido congregado mariano e era devoto fervoroso de São Judas Tadeu, o delegado insistiu que vinha de uma época em que a Igreja não entrava no campo da reivindicação social, mas cuidava da alma. Por causa de sua origem síria, sempre teve relações com a colônia árabe de fé ortodoxa em São Paulo.
Como policial de informação que defendia o recurso a métodos científicos e técnicos para o combate ao crime, Tuma dizia-se contra a tortura e a violência. Para quem por acaso duvidasse de sua palavra, evocava o testemunho insuspeito de militantes políticos e sindicais, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para provar que respeitava os presos. Em 1980, lembra o delegado, ele autorizou Lula a visitar a mãe doente no hospital e, em seguida, a ir a seu enterro.
'Escalei dois policiais, que acompanharam o Lula até o hospital, onde ele conversou com a mãe. Ela faleceu sem saber da prisão os policiais se disfarçaram de operários e foram apresentados como colegas de Lula', contou Tuma dois anos após a ocorrência do fato. Na mesma época, o delegado convenceu o então metalúrgico e seus companheiros a desistirem de uma greve de fome e lhes serviu um prato especial no xadrez, porções de lulas à doré, encomendadas num restaurante das proximidades do Dops.
As denúncias contra Tuma partiram de militantes de esquerda e de vítimas da repressão. Em abril de 1992, membros da Comissão dos Familiares de Presos Políticos Desaparecidos afirmaram que o delegado, então diretor da Polícia Federal, sabia que o ex-preso político Rui Carlos Vieira Berbert estava morto e enterrado com nome falso em Natividade (TO), mas não deu essa informação à família. Num debate de candidatos paulistas ao Senado, em 1994, a ex-ministra Luiza Erundina acusou o delegado de ter omitido informações sobre a morte de ex-ativistas assassinados pelas repressão no começo dos anos 70.
Tuma era um policial obstinado pelo trabalho. Vivia dependurado ao telefone, que não deixava de atender nem de madrugada, sempre na expectativa de alguma informação importante para seu trabalho. Ligava constantemente para repórteres de sua confiança, para saber e informar o que estava acontecendo. Para não perder tempo, almoçava ou comia sanduíches em restaurantes e botecos vizinhos de seu gabinete. Sintonizava as frequências da polícia no rádio do carro e, em casa, via filmes policiais na TV.
Era casado com Zilda Dirane Tuma, com quem teve quatro filhos.
Análise dos cientistas políticos: Dilma evolui e Serra não convence
Análise dos cientistas políticos: Dilma evolui e Serra não convence
SÃO PAULO - Cientistas políticos convidados pelo Radar Político para assistir ao debate da TV Record concordaram na análise de que a petista Dilma Rousseff 'cresceu' ao longo dos últimos debates, enquanto o tucano José Serra se perdeu na tentativa de parecer um político carismático. Na avaliação de Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), e José Paulo Martins, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o encontro desta segunda-feira, 25, começou tenso, com todos os ataques de ordem ética concentrados no primeiro bloco para aproveitar o pico da audiência.
'Ele foi muito mais agressivo, mas não golpeou a ponto de ela ficar grogue', disse Melo ao avaliar a primeira parte da atração. Para Martins, os candidatos apostaram em mais do mesmo. 'O que vêm agora? Tudo o que já era esperado veio no primeiro bloco', questionou.
Para os cientistas políticos, a estratégia era atingir um maior número de pessoas antes que os televisores começassem a ser desligados, com o avançar das horas. 'No primeiro bloco você tem que mostrar um certo ímpeto', analisou Melo.
Segundo o cientista político do Insper, Serra estava 'mais agressivo do que nos outros debates'. 'Ele não tem outra alternativa a não ser roubar os votos dela. Mas é arriscado atacar', acrescentou Martins, para quem o eleitor identifica o problema da corrupção em governos do PT e do PSDB.
Foi, inclusive, essa a avaliação de Melo quando os casos mais recentes envolvendo os dois candidatos surgiram no debate, ainda no primeiro bloco. 'Quem com Erenice fere, com Paulo Preto será ferido', brincou o analista do Insper, após Serra citar as suspeitas de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. O ataque foi prontamente respondido por Dilma, que lembrou o suposto desvio de recursos de caixa dois da campanha tucana pelo ex-diretor da Dersa Paulo Petro. Privatizações. No segundo bloco, ganhou força o tema privatizações, que foi puxado pelo próprio tucano, numa clara estratégia de se manter no ataque. Na análise dos cientistas políticos, a tentativa de Serra de criticar uma suposta privatização do pré-sal pelo PT soou esquizofrênica, uma vez que vai contra as bandeiras históricas do PSDB.
'Serra vestiu a carapuça e agora quer ser mais realista que o rei, mais estatista que o PT', resumiu Melo. 'Vai contra a base social do PSDB', acrescentou. Na opinião do analista, a estratégia não agrega votos a Serra pois 'a base social do PT já está com Dilma'. Evolução. Na avaliação dos dois cientistas políticos, o debate desta segunda consolidou a evolução de Dilma ao longo dos últimos debates. 'Eu diria que a novidade é a segurança da Dilma', disse Martins. 'Mas acho que as pesquisas ajudam um pouco', acrescentou.
Ainda segundo eles, a tentativa de Serra de soar carismático não funciona. 'O problema é que o Serra tem um perfil... Ele é a figura racional por excelência. Quando ele faz esse discurso muito emocional, você não o reconhece', disse Melo, para quem 'Dilma tem milhões de defeitos, mas é impressionante como ela aprende rápido'.
SÃO PAULO - Cientistas políticos convidados pelo Radar Político para assistir ao debate da TV Record concordaram na análise de que a petista Dilma Rousseff 'cresceu' ao longo dos últimos debates, enquanto o tucano José Serra se perdeu na tentativa de parecer um político carismático. Na avaliação de Carlos Melo, do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), e José Paulo Martins, da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, o encontro desta segunda-feira, 25, começou tenso, com todos os ataques de ordem ética concentrados no primeiro bloco para aproveitar o pico da audiência.
'Ele foi muito mais agressivo, mas não golpeou a ponto de ela ficar grogue', disse Melo ao avaliar a primeira parte da atração. Para Martins, os candidatos apostaram em mais do mesmo. 'O que vêm agora? Tudo o que já era esperado veio no primeiro bloco', questionou.
Para os cientistas políticos, a estratégia era atingir um maior número de pessoas antes que os televisores começassem a ser desligados, com o avançar das horas. 'No primeiro bloco você tem que mostrar um certo ímpeto', analisou Melo.
Segundo o cientista político do Insper, Serra estava 'mais agressivo do que nos outros debates'. 'Ele não tem outra alternativa a não ser roubar os votos dela. Mas é arriscado atacar', acrescentou Martins, para quem o eleitor identifica o problema da corrupção em governos do PT e do PSDB.
Foi, inclusive, essa a avaliação de Melo quando os casos mais recentes envolvendo os dois candidatos surgiram no debate, ainda no primeiro bloco. 'Quem com Erenice fere, com Paulo Preto será ferido', brincou o analista do Insper, após Serra citar as suspeitas de tráfico de influência envolvendo a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra. O ataque foi prontamente respondido por Dilma, que lembrou o suposto desvio de recursos de caixa dois da campanha tucana pelo ex-diretor da Dersa Paulo Petro. Privatizações. No segundo bloco, ganhou força o tema privatizações, que foi puxado pelo próprio tucano, numa clara estratégia de se manter no ataque. Na análise dos cientistas políticos, a tentativa de Serra de criticar uma suposta privatização do pré-sal pelo PT soou esquizofrênica, uma vez que vai contra as bandeiras históricas do PSDB.
'Serra vestiu a carapuça e agora quer ser mais realista que o rei, mais estatista que o PT', resumiu Melo. 'Vai contra a base social do PSDB', acrescentou. Na opinião do analista, a estratégia não agrega votos a Serra pois 'a base social do PT já está com Dilma'. Evolução. Na avaliação dos dois cientistas políticos, o debate desta segunda consolidou a evolução de Dilma ao longo dos últimos debates. 'Eu diria que a novidade é a segurança da Dilma', disse Martins. 'Mas acho que as pesquisas ajudam um pouco', acrescentou.
Ainda segundo eles, a tentativa de Serra de soar carismático não funciona. 'O problema é que o Serra tem um perfil... Ele é a figura racional por excelência. Quando ele faz esse discurso muito emocional, você não o reconhece', disse Melo, para quem 'Dilma tem milhões de defeitos, mas é impressionante como ela aprende rápido'.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
ULTIMO SEGUNDO IG / SP - Lula fez coisa boa, mas não precisa ser tão mesquinho, diz FHC
Ex-presidente afirma que gostaria de ter uma conversa com o atual mandatário quando este 'colocar o pijama'
Alessandra Oggioni, iG São Paulo | 14/10/2010 21:58
Mudar o tamanho da letra: A+ A- Em sua primeira aparição pública desde o início do segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que cansou de ficar calado e que quer conversar com o presidente Lula ao final do mandato dele.
"Presidente Lula, terminada as eleições, quando você puser o pijama, venha ao meu instituto para conversar", disse FHC, acrescentando: "Então vou dizer a ele, 'presidente Lula, você fez muita coisa boa, mas não precisa ser tão mesquinho, rapaz'".
As declarações foram feitas em evento do PSDB realizado hoje na zona norte da capital paulista, que reuniu militantes e teve a participação de caciques tucanos de São Paulo, como o governador eleito Geraldo Alckmin, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, o governador Alberto Goldman e o senador eleito Aloysio Nunes.
FHC negou críticas do PT de que seu governo tivesse tentasse privatizar a Petrobras. "Essa gente não tem duas caras, não tem é cara nenhuma, não tem o que dizer e, como não tem o que dizer, falam mal de nós, mentindo sem cessar", declarou.
Já o governador eleito Geraldo Alckmin disse as últimas pesquisas vêm mostrando o crescimento de Serra. “A eleição está disputada mas acho que neste segundo turno o favoritismo está para o lado do PSDB", comemorou, adiantando que nas próximas semanas a campanha será reforçada em locais como Baixada Santista e Ribeirão Preto, entre outros, e, fora do território paulista, em Estados como Goiás, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Ex-presidente afirma que gostaria de ter uma conversa com o atual mandatário quando este 'colocar o pijama'
Alessandra Oggioni, iG São Paulo | 14/10/2010 21:58
Mudar o tamanho da letra: A+ A- Em sua primeira aparição pública desde o início do segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que cansou de ficar calado e que quer conversar com o presidente Lula ao final do mandato dele.
"Presidente Lula, terminada as eleições, quando você puser o pijama, venha ao meu instituto para conversar", disse FHC, acrescentando: "Então vou dizer a ele, 'presidente Lula, você fez muita coisa boa, mas não precisa ser tão mesquinho, rapaz'".
As declarações foram feitas em evento do PSDB realizado hoje na zona norte da capital paulista, que reuniu militantes e teve a participação de caciques tucanos de São Paulo, como o governador eleito Geraldo Alckmin, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, o governador Alberto Goldman e o senador eleito Aloysio Nunes.
FHC negou críticas do PT de que seu governo tivesse tentasse privatizar a Petrobras. "Essa gente não tem duas caras, não tem é cara nenhuma, não tem o que dizer e, como não tem o que dizer, falam mal de nós, mentindo sem cessar", declarou.
Já o governador eleito Geraldo Alckmin disse as últimas pesquisas vêm mostrando o crescimento de Serra. “A eleição está disputada mas acho que neste segundo turno o favoritismo está para o lado do PSDB", comemorou, adiantando que nas próximas semanas a campanha será reforçada em locais como Baixada Santista e Ribeirão Preto, entre outros, e, fora do território paulista, em Estados como Goiás, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Alessandra Oggioni, iG São Paulo | 14/10/2010 21:58
Mudar o tamanho da letra: A+ A- Em sua primeira aparição pública desde o início do segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que cansou de ficar calado e que quer conversar com o presidente Lula ao final do mandato dele.
"Presidente Lula, terminada as eleições, quando você puser o pijama, venha ao meu instituto para conversar", disse FHC, acrescentando: "Então vou dizer a ele, 'presidente Lula, você fez muita coisa boa, mas não precisa ser tão mesquinho, rapaz'".
As declarações foram feitas em evento do PSDB realizado hoje na zona norte da capital paulista, que reuniu militantes e teve a participação de caciques tucanos de São Paulo, como o governador eleito Geraldo Alckmin, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, o governador Alberto Goldman e o senador eleito Aloysio Nunes.
FHC negou críticas do PT de que seu governo tivesse tentasse privatizar a Petrobras. "Essa gente não tem duas caras, não tem é cara nenhuma, não tem o que dizer e, como não tem o que dizer, falam mal de nós, mentindo sem cessar", declarou.
Já o governador eleito Geraldo Alckmin disse as últimas pesquisas vêm mostrando o crescimento de Serra. “A eleição está disputada mas acho que neste segundo turno o favoritismo está para o lado do PSDB", comemorou, adiantando que nas próximas semanas a campanha será reforçada em locais como Baixada Santista e Ribeirão Preto, entre outros, e, fora do território paulista, em Estados como Goiás, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Ex-presidente afirma que gostaria de ter uma conversa com o atual mandatário quando este 'colocar o pijama'
Alessandra Oggioni, iG São Paulo | 14/10/2010 21:58
Mudar o tamanho da letra: A+ A- Em sua primeira aparição pública desde o início do segundo turno, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse hoje que cansou de ficar calado e que quer conversar com o presidente Lula ao final do mandato dele.
"Presidente Lula, terminada as eleições, quando você puser o pijama, venha ao meu instituto para conversar", disse FHC, acrescentando: "Então vou dizer a ele, 'presidente Lula, você fez muita coisa boa, mas não precisa ser tão mesquinho, rapaz'".
As declarações foram feitas em evento do PSDB realizado hoje na zona norte da capital paulista, que reuniu militantes e teve a participação de caciques tucanos de São Paulo, como o governador eleito Geraldo Alckmin, o prefeito da capital, Gilberto Kassab, o governador Alberto Goldman e o senador eleito Aloysio Nunes.
FHC negou críticas do PT de que seu governo tivesse tentasse privatizar a Petrobras. "Essa gente não tem duas caras, não tem é cara nenhuma, não tem o que dizer e, como não tem o que dizer, falam mal de nós, mentindo sem cessar", declarou.
Já o governador eleito Geraldo Alckmin disse as últimas pesquisas vêm mostrando o crescimento de Serra. “A eleição está disputada mas acho que neste segundo turno o favoritismo está para o lado do PSDB", comemorou, adiantando que nas próximas semanas a campanha será reforçada em locais como Baixada Santista e Ribeirão Preto, entre outros, e, fora do território paulista, em Estados como Goiás, Acre, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Edson de Jesus: O Homem da Cruz Aurelio Lopes e Ronan Dupla Sertaneja Gospel (veja o video clik aqui)
O Homem da Cruz Aurelio Lopes e Ronan Dupla Sertaneja Gospel
CONTATO PARA SHOWS São Paulo FONE (11)6626-4165/8881-6212/6221-6839/2837-74047
E-mail: homemdacruz@gmail.com
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Dilma e Serra evitam confronto direto (estadão 01/10/2010 1:10)
Dilma e Serra evitam confronto direto
RIO DE JANEIRO - Em seu último debate no primeiro turno das eleições presidenciais de 2010, os quatro primeiros colocados na corrida eleitoral protagonizaram um confronto morno, encerrado na madrugada de hoje, na Rede Globo de Televisão. Aborto, caso Erenice e quebra de sigilo fiscal foram temas evitados pelos presidenciáveis.
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram perguntas diretas um ao outro a petista, curiosamente, pouco citou nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atitude seguida também pelos demais concorrentes. Marina Silva (PV), diferentemente do embate na Rede Record, foi menos incisiva. Plínio de Arruda Sampaio tentou repetir suas tiradas irônicas e cobranças aos adversários. E defendeu a suspensão do pagamento da dívida externa.
Dilma manteve a postura de em quase todas as suas intervenções elogiar o governo federal. Logo no primeiro bloco, questionada por Marina sobre a informalidade dos trabalhadores, disse que uma das grandes conquistas do governo do presidente Lula foi a formalização. 'Até 2005, o que a gente tinha era esse processo de informalização. Batemos todos os recordes formalização, criamos 14 milhões de empregos, chegaremos a 15 milhões até o fim do ano.'
Ao perguntar sobre funcionalismo público, Dilma foi acusada por Plínio, que disse que sua política para o setor seria 'completamente diferente da de seu governo'. 'Sem terceirização, sem privatização. Você era ministra e não vi você reclamar contra isso.' Dilma respondeu: ' O governo do presidente Lula não privatizou, pelo contrário, reforçou a Petrobrás. A mesma coisa na Eletrobrás, em todas as estatais do Brasil. Agora, acredito em funcionalismo de carreira. Acabamos com a precarização, fizemos vários concursos públicos, demos reajustes.'
Questionada por Serra sobre reforma previdenciária, Marina defendeu a adoção do regime de capitalização. 'De fato, temos grande problema na Previdência e temos de enfrentar enquanto a população ainda é jovem. Que a gente possa sair do regime deficitário que temos para um regime de capitalização, que as pessoas que vão entrar (no mercado de trabalho) possam entrar num regime de capitalização, os que estão aposentados tenham um sistema de recuperação do poder aquisitivo.' Sem dar detalhes, ela prometeu criar um 'mecanismo de recuperação' das aposentadorias e pensões que não comprometa as contas públicas. Na réplica, Serra aproveitou para defender suas propostas para o setor: reajuste de 10% para aposentados e pensionistas e aumentar o salário mínimo para R$ 600.
Ao perguntar a Marina sua opinião sobre transportes, Dilma ouviu a candidata verde dizer que o governo atual não tem para o setor um plano abrangente, apenas um programa de gestão, o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), que prometeu continuar. Ao comentar a resposta da adversária, Dilma foi um pouco irônica. 'Me desculpe, Marina, mas tem um plano nacional de logística que foi elaborado e é por causa dele que sabemos que é preciso integrar ferrovias, hidrovias e ferrovias.' A petista então aproveitou para fazer propaganda de obras do governo, como a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia Transnordestina.
Um momento de tensão aconteceu quando Marina questionou Serra por causa de críticas feitas no passado pelo PSDB e pelo DEM aos programas sociais do governo federal, como o Bolsa-Família. Ela perguntou ao tucano se fazia autocrítica dessa postura. 'Marina, não use sua régua para medir os outros', disse Serra, irrigado. 'Se fosse usar, eu diria que você e a Dilma têm muitas coisas parecidas. Como a Dilma, você foi ministra do governo, inclusive no mensalão.'
RIO DE JANEIRO - Em seu último debate no primeiro turno das eleições presidenciais de 2010, os quatro primeiros colocados na corrida eleitoral protagonizaram um confronto morno, encerrado na madrugada de hoje, na Rede Globo de Televisão. Aborto, caso Erenice e quebra de sigilo fiscal foram temas evitados pelos presidenciáveis.
Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) evitaram perguntas diretas um ao outro a petista, curiosamente, pouco citou nominalmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atitude seguida também pelos demais concorrentes. Marina Silva (PV), diferentemente do embate na Rede Record, foi menos incisiva. Plínio de Arruda Sampaio tentou repetir suas tiradas irônicas e cobranças aos adversários. E defendeu a suspensão do pagamento da dívida externa.
Dilma manteve a postura de em quase todas as suas intervenções elogiar o governo federal. Logo no primeiro bloco, questionada por Marina sobre a informalidade dos trabalhadores, disse que uma das grandes conquistas do governo do presidente Lula foi a formalização. 'Até 2005, o que a gente tinha era esse processo de informalização. Batemos todos os recordes formalização, criamos 14 milhões de empregos, chegaremos a 15 milhões até o fim do ano.'
Ao perguntar sobre funcionalismo público, Dilma foi acusada por Plínio, que disse que sua política para o setor seria 'completamente diferente da de seu governo'. 'Sem terceirização, sem privatização. Você era ministra e não vi você reclamar contra isso.' Dilma respondeu: ' O governo do presidente Lula não privatizou, pelo contrário, reforçou a Petrobrás. A mesma coisa na Eletrobrás, em todas as estatais do Brasil. Agora, acredito em funcionalismo de carreira. Acabamos com a precarização, fizemos vários concursos públicos, demos reajustes.'
Questionada por Serra sobre reforma previdenciária, Marina defendeu a adoção do regime de capitalização. 'De fato, temos grande problema na Previdência e temos de enfrentar enquanto a população ainda é jovem. Que a gente possa sair do regime deficitário que temos para um regime de capitalização, que as pessoas que vão entrar (no mercado de trabalho) possam entrar num regime de capitalização, os que estão aposentados tenham um sistema de recuperação do poder aquisitivo.' Sem dar detalhes, ela prometeu criar um 'mecanismo de recuperação' das aposentadorias e pensões que não comprometa as contas públicas. Na réplica, Serra aproveitou para defender suas propostas para o setor: reajuste de 10% para aposentados e pensionistas e aumentar o salário mínimo para R$ 600.
Ao perguntar a Marina sua opinião sobre transportes, Dilma ouviu a candidata verde dizer que o governo atual não tem para o setor um plano abrangente, apenas um programa de gestão, o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), que prometeu continuar. Ao comentar a resposta da adversária, Dilma foi um pouco irônica. 'Me desculpe, Marina, mas tem um plano nacional de logística que foi elaborado e é por causa dele que sabemos que é preciso integrar ferrovias, hidrovias e ferrovias.' A petista então aproveitou para fazer propaganda de obras do governo, como a Ferrovia Norte-Sul e a Ferrovia Transnordestina.
Um momento de tensão aconteceu quando Marina questionou Serra por causa de críticas feitas no passado pelo PSDB e pelo DEM aos programas sociais do governo federal, como o Bolsa-Família. Ela perguntou ao tucano se fazia autocrítica dessa postura. 'Marina, não use sua régua para medir os outros', disse Serra, irrigado. 'Se fosse usar, eu diria que você e a Dilma têm muitas coisas parecidas. Como a Dilma, você foi ministra do governo, inclusive no mensalão.'
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